Conversas diante do espelho

Segunda-feira, Agosto 01, 2005

Ira

Curioso nome para uma organizaçom terrorista: IRA (Irish Republican Army). Cousas dos idiomas. Ainda que, bem pensado, acaso foi esse sentimento o que levou a seres humanos a pensar em matarem outros seres humanos. Veriam-se engaiolados, num caminho sem saída? Pode ser. Ou pode que a sociedade, dependendo do momento, aceitar ou nom a violência como médio para acadar algo. Na Segunda Guerra Mundial, quando foi fundado o IRA, a violência ainda era aceitada pola sociedade. Permitirei-me pôr em dúvida que as sociedades de hoje rejeitem a violência, polo menos em geral. Acaso algumas. E nom precissamente das mais ocidentais.

Hoje a violência é rejeitada -na teoria- pola maior parte da nossa sociedade. Por isso, o IRA finalmente decidiu anunciar o desarme definitivo do grupo, passando a se converter numa força política. Bem feito, naturalmente. Hoje os governos nom escuitam aos grupos armados -alguns nem aos desarmados, olhai a Galiza-. Possivelmente, o Tony Blair fizo uma apertura na posiçom oficial do Reino Unido com respeito ao caso do Ulster. Dixo que o destino da Irlanda será decidido polos irlandeses, o que significa um possível referendo. Pode que acadaram os seus sonhos. Finalmente. Uma Irlanda unida.

Pensemos um momento as vidas que isso costou. Ponhamos numa balança os mortos ocasionados e o controlo e exploraçom da Irlanda polo Reino Unido. O que valeu mais? A vida de uns ou o futuro de outros?

O caso do Éire, ainda que alguns pretender misturar ambos casos, nom é como o da ETA na Espanha. A posiçom do governo inglês e da oposiçom é a mesma nesse tema. Porém, na Espanha, os dous principais partidos utilizam o terrorismo com fins electoralistas. Nom interessa que remate o conflito em Euzkadi, porque isso significaria perder o medo, e isso levaria a deixar de votar os partidos que falam do medo e do terror. Aliás, naturalmente, dos negócios que já fazem parte do mundo quotidiano dessa terra, como som os guarda costas. Ninguém imagina hoje um Euzkadi sem guarda costas, sem o dinheiro que gera. E claro, o que importa neste mundo nom som os demais, e um próprio e o seu dinheiro.

Alguém quer solucionar no estado espanhol a questom da independência das nações históricas? No Reino Unido tém claro desde há tempo que o que tém é um estado. O Reino Unido, como estado, engloba -na ilha da Grã Bretanha- os ingleses, escoceses e galeses e, no Ulster, os irlandeses, mas som cousas distintas. Povos distintos. Como tém claro isso, acaso a decisom tomada polo Blair foi mais singela. Em Espanha, muitíssima gente pensa, e a postura oficial é, que há apenas uma naçom, um povo, uma cultura -e, por todas estas, uma língua: a deles-... Quando surge um sentimento independentista por alguém se identificar com uma das nações históricas, esse nacionalismo espanholista sem fundamento põe-se em acçom. Alguns nem justificam a sua postura (Ibarra), outros falam de luitar contra o separatismo (Rajoy) e outros usam o seu talante, mas todos dizem o mesmo. La cosa nostra nom se move. Está assim desde há quinhentos anos e nom vam vir estes roxos do caralho que nom se lavam dizer-nos como é Espanha. E produz-se uma situaçom de imobilismo. Como alguns podem observar, isto nom leva a ningures.

Ogalhá o caso IRA e o ETA se parecessem mais...

2 Comentários:

  • Penso que a Espanha se converterá em um regime federalista e que o grau de autonomia das nações históricas será cada vez maior.

    Por Anonymous ganesh, às 22 Dezembro, 2006 15:43  

  • Persoalmente e iso que non estou moi posto no tema, o IRA era o exército da República Irlandesa, é dicir, os corpos militares e paramilitares que xuraron lealtade ao parlamento de 1919, cando a maioría dos membros electos rechazaron os esus asentos na Cámara de los Comunes Británica. E estableceron un parlamento irlandés.

    Pouco despois os Birtanicos desembarcaron un contigente e Michael Collins, patriota e lider revolucionario "socialista" (polo menos ata 1923 cande se vendeu ao estado libre asociado) xunto con algúns membros do IRA, esencialmente a camara de oficiais máis altos, encerráronse no "parlamento irlandés", o edificio de correos anteriormente coñecido en Dublin, e foron feitos presos e encarcelados.

    Por Blogger L. Celeiro, às 17 Janeiro, 2008 22:26  

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