Conversas diante do espelho

Quinta-feira, Junho 02, 2005

Televisão Popular

Res Publica = "Cousa do povo". Nesse caso, algo público é algo do povo. Por que, então, temos que aturar uma televisão pública de Galicia, mas não dos galegos, que é apenas tribuna do Partido do governo da CAG? Eu não me sinto representado nesse lixo no que se converteu a telegaita, na que a todas horas podes ver futebol, Luar, propaganda do PP ou todas a um tempo. É, sabêndomos isto, uma televisão pública? NÃO. É mais uma das conseqüências do caciquismo dos filhos do franquismo que ainda hoje nos governam.

Não passam três segundos de informativo e já fazem propaganda institucional. Desta vez que o olhei, o macaco do presentador falava de um descenso do paro (ha!), melhor que o ano passado (ha!!) e que estes dados podem ser considerados os melhores da História da Galiza (haa!!!). Aguarda que atopo as costelas, que me caírom por mor do riso... Por que não falam de que esse emprego criado é ridiculamente precário? Por que nunca falam de que os novos temos de emigrar cada ano? Por que não de que as concessões a empresas privadas são sempre a amiguíssimos, familiares, colegas...? Por que não comentarem que o Plano Galiza -Plan Galicia para os oficialistas- foi apenas uma caralhada assinada para fechar bocas e calar vozes? Por que não que o sistema de solucionar as cousas é a golpe de talonário e não com soluções reais?

Quero uma televisão que me represente, não que me faga de porta-voz do sentir, já não Popular, mas populista. Que nos represente a todos, sem distinção de cor política. E quero também uma classe política que tire da gente o nojo que lhe tem. É impossível que o Fraga poda perder umas eleições quando os votantes são empressários que votam pensando no peto e velhinhos fazendo umha grotesca emulação dos passeios da guerra civil e da posguerra quando os levam com o voto preparado. Informados, dizem os vivos estes que estão. Coaccionados, enganados ou comprados diria eu. Se não, não se explica que ano após ano o país esteja mais empobrecido, a emigração seja maior e o uso do galego -esse idioma dos mais que votam a Fraga- esteja a se converter nalgo mais litúrgico do que real. Dentro duns anos o galego na Galiza poderia chegar a ser um Euscara se não for polo país vizinho. Ainda que claro, todo pode cambiar. Só resta que seja o povo quem queira o câmbio. Há que botá-los.