Escala de valores
Estes dias, nos Estados espanhol e francês, podemos botar uma olhada para nos perceber das profundas diferenças que existem neste momento nas respectivas juventudes/mocidades de ambas sociedades. Embora o carácter plurinacional do Estado espanhol seja mais reconhecido do que essa realidade no território vizinho, o colonialismo ao que estám submetidas as nações do Estado da península faz com que comecem a surgir certas correntes de nom-pensamento comuns aos habitantes destas. Enquanto o estudantado de la France sai à rua para protestar por uma reforma que precariza ainda mais o já doente âmbito laboral, no Estado espanhol a maior preocupaçom das suas gentes é a possível proibiçom da posta em prática do chamado botelhom ou garrafom.
Esta prática, comum a todo o território do Estado -e, para os que nom o souberem, consistente em beber na rua álcool comprado nos supermercados, mais barato-, surge directamente polo abusivo preço que foi adoptando a bebida nos locais de ócio, quer discotecas, quer pubs. A saída perante esta realidade foi optar por evitar estes locais nos momentos de esmorga alcoólica. E qual o lugar onde poder reunir-se para beber sem limites de aforo? A rua.
Até cá seria tudo normal, incluso sabêndomos que as reuniões, quando houver álcool, sempre trazem consigo um volume das conversas excessivo. Isto seria solucionável fazendo as reuniões em zonas de pouca populaçom, como parques ou praças públicas. Os problemas graves aparecem quando a falta de civismo faz com a gente depositar resíduos orgânicos no meio da rua, além doutros inorgânicos: garrafas e copos rotos, destroços no mobiliário urbano -sem ânimo reivindicativo nenhum (oxalá)-, ...
Esta realidade provoca-me risos, se nom prantos, quando olho a situaçom dos curmãos de além-Pirenéus. Eles sim que soubêrom demonstrar que têm interesse polo seu futuro. O estado de parálise cerebral no que se topam as minhas gentes é para chorar. Um estado no que rejeitam abertamente a política por considerarem que nom afecta às suas vidas em nada, quando é precisamente o contrário: uma decisom dum político pode dizer se amanhã comerás; um estado no que o único que querem é desconectar da realidade, esquecer a merda de vida que têm ou botar uma soneca permanente por estar numa situaçom acomodada; um estado no que nom mostram interesse por cambiar as injustiças existentes e palpáveis da vida quotidiana, quer da sua, quer da doutras pessoas...
A merda da classe política que temos faz com que já nom protestemos nunca. Podem estar a nos roubar o pam diante do nariz e nós sem fazermos rem, em rotundo e absoluto silêncio, ficando sem nada.
Hoje, os galegos nom podemos fazer um contrato de arrendamento na nossa língua se o arrendatário nom o desejar. Hoje, um galego tem de saber castelhano/castelám por lei (embora, sendo incluso filho de galegofalantes, nom é assim com a língua dos seus pais). Hoje, os galegos temos de emigrar porque na nossa terra nom há trabalho para nós. A indústria tecnológica do nosso país é própria de uma subdesenvolvida. A riqueza que a nossa terra tem está em mãos de dous ou três empresários que nom sentem absolutamente nada polo seu país, que som filhos ou netos dos opressores franquistas, alguns deles sendo eles próprios os opressores, impunes por um Estado que nom condenou nenhum dos delitos dessa triste história. As gigantescas empresas, frutos ou criadores da mal chamada globalizaçom, utilizam a Galiza como uma colónia, explorando-a e sem devolver nada à terra que as enriquece.
Que fazemos perante estes problemas? Nada. Ligamos o televisor para vermos um reality desses que estám tam à moda, para sabermos da vida de pessoas que nunca conheceremos e que nos importam um caralho de mico, para nos evadir da merda que é a nossa existência, chegândomos a esquecer e a negar as complicações que se nos apresentam. A filosofia do panem et circenses que tam bons resultados deu em épocas como a franquista nalgumas mentes, hoje semelha funcionar à perfeiçom.
Da Crunha, cidade na que ninguém é forasteiro, soubem há tempo que houvera mais participantes na manifestaçom pró-Crunha capital dos que mais tarde nas de Nunca Mais. Porquê? A razom está em que se vê mais necessária que a cidade tenha o prestígio e a importância de figurar como capital da Galiza do que conseguirem soluções para os problemas derivados da maré negra. Volto a perguntar: porquê? Acho -embora neste caso já nom esteja tam certo- que a classe política crunhesa tem mais interesse em desviar a atençom das suas gentes a temas menos subversivos, conflituosos se se quiger. E esse é o método que se segue no Estado todo: desviar a atençom, guiar o rebanho de ovelhinhas que somos para eles, que tomárom o rol de pastores. Pois eu digo: nom sou uma ovelha. Nom sou alguém a quem podam dirigir sem mais, a quem podam dizer o que tem de pensar, o que tem de sentir. As pessoas somos seres individuais.
As nações criadas baseando-se em antigos reinos som um erro. Esses antigos principados, condados, ducados, ... eram caprichos ou interesses particulares de nobres da época, de gentes privilegiadas. O próprio Portugal, estado dos nossos irmãos do Sul, foi criado num princípio como agasalho de boda. As nações de hoje nom podem basear-se nessas de antanho. Devem refundar-se. Entom terám senso entidades sem Estado, como a Galiza, Astúries, Leom, Euskal Herria, Andaluzia, os Países Catalães, Aragom, Canárias, Castela, Provença, Bretanha, Escócia, Gales, Quebeque... e tantas outras. Por isso nações existentes hoje com Estado de seu, quer Portugal, quer Venezuela, Chile, Cuba, Brasil e demais, nom devem apelar a uma naçom do passado para se fundamentar hoje. Devem chegar ao coraçom falando de cousas reais, de direitos e deveres, de irmandade, de consciência colectiva, de projecto comum, de igualdade real. Os privilegiados devem desaparecer.
Os meios de comunicaçom nom podem estar controlados polo capital, como hoje ocorre. Devem ser do povo, por e para ele. É vergonhoso os periódicos de informaçom geral darem como notícia principal a celebraçom dum macrogarrafom em tal ou qual cidade, enquanto os estudantes do Estado francês som notícia em apenas uma mísera coluna duma secçom menor. Querem aparvoar-nos, querem-nos fazer crer que essa é a verdadeira realidade. É a mesma situaçom na que a notícia que enche os meios é um assassinato, violaçom ou catástrofe natural. Dam sensaçom de insegurança a quem ler essa notícia, porque acaba por crer que o mundo, o seu mundo, está cheio de criminais, de inimigos, de lobos. Dá em pensar que a própria natureza está na nossa contra. Quando nom forem notícias desse estilo, som verdadeiros vómitos informativos -porque som um desperdício- sobre as famílias reais da velha Europa (as mesmas que supõem o máximo expoente de parasitas existentes actualmente). Incluso, por vezes, temos de suportar capas inteiras dedicadas a personagens da vida “pública” que contam intimidades fazendo gala dum exibicionismo atroz e repulsivo.
A gente afaz-se a este tipo de notícias e depois nom tem costume de ler as que realmente vam afectar a sua vida. Passa a sua existência a viver o tempo de outros, por vezes imitando-os, como uma espécie de macabro videojogo da vida.
A nossa escala de valores é continuamente deformada por estes meios desinformadores, verdadeiros moldadores do pensamento colectivo. O aspecto, a popularidade, o poder aquisitivo, rebelar-se sem causa (no sentido de alguém sentir que é mais por nom cumprir com as suas obrigas na escola...), som cousas que hoje valem muito na mente das pessoas da nossa sociedade.
Como conta o filme La haine (O ódio), a nossa sociedade vive o conto daquele que está a cair desde o último andar dum edifício ao chão. Cada andar que passa a cair, diz-se: Tudo vai bem. Tudo vai bem. O problema é que o importante nom é a caída, mas a aterragem. E a nossa vai ser bem fodida.
Esta prática, comum a todo o território do Estado -e, para os que nom o souberem, consistente em beber na rua álcool comprado nos supermercados, mais barato-, surge directamente polo abusivo preço que foi adoptando a bebida nos locais de ócio, quer discotecas, quer pubs. A saída perante esta realidade foi optar por evitar estes locais nos momentos de esmorga alcoólica. E qual o lugar onde poder reunir-se para beber sem limites de aforo? A rua.
Até cá seria tudo normal, incluso sabêndomos que as reuniões, quando houver álcool, sempre trazem consigo um volume das conversas excessivo. Isto seria solucionável fazendo as reuniões em zonas de pouca populaçom, como parques ou praças públicas. Os problemas graves aparecem quando a falta de civismo faz com a gente depositar resíduos orgânicos no meio da rua, além doutros inorgânicos: garrafas e copos rotos, destroços no mobiliário urbano -sem ânimo reivindicativo nenhum (oxalá)-, ...
Esta realidade provoca-me risos, se nom prantos, quando olho a situaçom dos curmãos de além-Pirenéus. Eles sim que soubêrom demonstrar que têm interesse polo seu futuro. O estado de parálise cerebral no que se topam as minhas gentes é para chorar. Um estado no que rejeitam abertamente a política por considerarem que nom afecta às suas vidas em nada, quando é precisamente o contrário: uma decisom dum político pode dizer se amanhã comerás; um estado no que o único que querem é desconectar da realidade, esquecer a merda de vida que têm ou botar uma soneca permanente por estar numa situaçom acomodada; um estado no que nom mostram interesse por cambiar as injustiças existentes e palpáveis da vida quotidiana, quer da sua, quer da doutras pessoas...
A merda da classe política que temos faz com que já nom protestemos nunca. Podem estar a nos roubar o pam diante do nariz e nós sem fazermos rem, em rotundo e absoluto silêncio, ficando sem nada.
Hoje, os galegos nom podemos fazer um contrato de arrendamento na nossa língua se o arrendatário nom o desejar. Hoje, um galego tem de saber castelhano/castelám por lei (embora, sendo incluso filho de galegofalantes, nom é assim com a língua dos seus pais). Hoje, os galegos temos de emigrar porque na nossa terra nom há trabalho para nós. A indústria tecnológica do nosso país é própria de uma subdesenvolvida. A riqueza que a nossa terra tem está em mãos de dous ou três empresários que nom sentem absolutamente nada polo seu país, que som filhos ou netos dos opressores franquistas, alguns deles sendo eles próprios os opressores, impunes por um Estado que nom condenou nenhum dos delitos dessa triste história. As gigantescas empresas, frutos ou criadores da mal chamada globalizaçom, utilizam a Galiza como uma colónia, explorando-a e sem devolver nada à terra que as enriquece.
Que fazemos perante estes problemas? Nada. Ligamos o televisor para vermos um reality desses que estám tam à moda, para sabermos da vida de pessoas que nunca conheceremos e que nos importam um caralho de mico, para nos evadir da merda que é a nossa existência, chegândomos a esquecer e a negar as complicações que se nos apresentam. A filosofia do panem et circenses que tam bons resultados deu em épocas como a franquista nalgumas mentes, hoje semelha funcionar à perfeiçom.
Da Crunha, cidade na que ninguém é forasteiro, soubem há tempo que houvera mais participantes na manifestaçom pró-Crunha capital dos que mais tarde nas de Nunca Mais. Porquê? A razom está em que se vê mais necessária que a cidade tenha o prestígio e a importância de figurar como capital da Galiza do que conseguirem soluções para os problemas derivados da maré negra. Volto a perguntar: porquê? Acho -embora neste caso já nom esteja tam certo- que a classe política crunhesa tem mais interesse em desviar a atençom das suas gentes a temas menos subversivos, conflituosos se se quiger. E esse é o método que se segue no Estado todo: desviar a atençom, guiar o rebanho de ovelhinhas que somos para eles, que tomárom o rol de pastores. Pois eu digo: nom sou uma ovelha. Nom sou alguém a quem podam dirigir sem mais, a quem podam dizer o que tem de pensar, o que tem de sentir. As pessoas somos seres individuais.
As nações criadas baseando-se em antigos reinos som um erro. Esses antigos principados, condados, ducados, ... eram caprichos ou interesses particulares de nobres da época, de gentes privilegiadas. O próprio Portugal, estado dos nossos irmãos do Sul, foi criado num princípio como agasalho de boda. As nações de hoje nom podem basear-se nessas de antanho. Devem refundar-se. Entom terám senso entidades sem Estado, como a Galiza, Astúries, Leom, Euskal Herria, Andaluzia, os Países Catalães, Aragom, Canárias, Castela, Provença, Bretanha, Escócia, Gales, Quebeque... e tantas outras. Por isso nações existentes hoje com Estado de seu, quer Portugal, quer Venezuela, Chile, Cuba, Brasil e demais, nom devem apelar a uma naçom do passado para se fundamentar hoje. Devem chegar ao coraçom falando de cousas reais, de direitos e deveres, de irmandade, de consciência colectiva, de projecto comum, de igualdade real. Os privilegiados devem desaparecer.
Os meios de comunicaçom nom podem estar controlados polo capital, como hoje ocorre. Devem ser do povo, por e para ele. É vergonhoso os periódicos de informaçom geral darem como notícia principal a celebraçom dum macrogarrafom em tal ou qual cidade, enquanto os estudantes do Estado francês som notícia em apenas uma mísera coluna duma secçom menor. Querem aparvoar-nos, querem-nos fazer crer que essa é a verdadeira realidade. É a mesma situaçom na que a notícia que enche os meios é um assassinato, violaçom ou catástrofe natural. Dam sensaçom de insegurança a quem ler essa notícia, porque acaba por crer que o mundo, o seu mundo, está cheio de criminais, de inimigos, de lobos. Dá em pensar que a própria natureza está na nossa contra. Quando nom forem notícias desse estilo, som verdadeiros vómitos informativos -porque som um desperdício- sobre as famílias reais da velha Europa (as mesmas que supõem o máximo expoente de parasitas existentes actualmente). Incluso, por vezes, temos de suportar capas inteiras dedicadas a personagens da vida “pública” que contam intimidades fazendo gala dum exibicionismo atroz e repulsivo.
A gente afaz-se a este tipo de notícias e depois nom tem costume de ler as que realmente vam afectar a sua vida. Passa a sua existência a viver o tempo de outros, por vezes imitando-os, como uma espécie de macabro videojogo da vida.
A nossa escala de valores é continuamente deformada por estes meios desinformadores, verdadeiros moldadores do pensamento colectivo. O aspecto, a popularidade, o poder aquisitivo, rebelar-se sem causa (no sentido de alguém sentir que é mais por nom cumprir com as suas obrigas na escola...), som cousas que hoje valem muito na mente das pessoas da nossa sociedade.
Como conta o filme La haine (O ódio), a nossa sociedade vive o conto daquele que está a cair desde o último andar dum edifício ao chão. Cada andar que passa a cair, diz-se: Tudo vai bem. Tudo vai bem. O problema é que o importante nom é a caída, mas a aterragem. E a nossa vai ser bem fodida.








