Circo
"Ninguém nos ensinou a sermos demócratas". Evidentemente, já que não o sois e a estas alturas não apreendistes o conto.
Sir Francis Vázquez, como é chamado nalguns círculos -mas circos-, alcaide da Corunha, presidente da Federação de Municípios da Espanha, senador -ainda não apresentou rem-, entre outras ocupações menos legais, como requalificações para benefício próprio ou de pessoal ligado a ele, trouxo à nossa terra o desfile das Forças Armadas. Isto significa duas cousas:
Aquém, o grande sentimento espanholista que tem na cabeça. A praça de Maria Pita não pode estar mais rojigualda estes dias. O desfile é a demonstração do poder militar espanhol, interpretado por alguns como o equivalente a forças de ocupação. De nada servem protestas pacifistas da mocidade e da cultura, por dar dous exemplos.
Além, o profundo despreço que tem polos seus próprios fregueses, já que mais que cidadãos, às vezes os corunheses semelham borregos que repitem o que diz o governante, sem se questionarem nada, ignorando totalmente factos demonstrados de corrupção e incompetência. Como fregueses crendo num deus que não podem ver. O Paco Vasques despreça todos eles, fazendo um investimento grandioso para pôr a cidade sob estado policial, enquanto as forças de ocupação se mantém na vila. Estes dias não podes fazer nada sem topares polícia do Estado, todos com olhar equino e furioso, aparentando dar-che umha labaçada à mínima mostra de pensamento non-grato para o Estado espanhol. A sua prepotência é manifesta, calmada acaso polo espanholismo que se coze na cidade da Torre.
Não é certo que na Corunha haja um movimento progressista considerável. Há militância, convencida e activa, mas são os menos. A população é a que vota ao Vasques e dá-lhe o poder de fazer o que quiger. Ela é quem acode em massa para olhar com os olhos bem abertos a parafernália na zona da Torre de Hércules, convertendo em panem et circenses exibições de potencial militar usado para manter a unidade da pátria. Eu pergunto: se o exército é para nos defender de ataques exteriores, qual é o senso de um quartel no puto centro da Corunha?? Porque o quartel das Atochas leva desde tempos imemoriais, ocupando uns terreios agora reclamados para uso público. Aliás, mantém-se na Corunha ruas e estátuas com nomes dos artífices do levantamento militar do 36, da guerra civil, da posguerra, da ditadura... Indignante é termos praça de Millán Astray, rua da Divisão Azul, viaducto del Generalísimo, todos símbolos da vitória -porque nunca houvo paz após a guerra- dos sublevados contra a República.
Esta cidade, sempre bastião republicano durante a segunda república, também do galeguismo com os movimentos culturais... converteu-se numha cidade cheia de pretensões, umha cidade que sempre quixo ser Madrid com um folclore diferente, galleguiños eles. Hoje podes topar montes de gente na cidade com apelidos, já não galegos, mas galeguíssimos, e a gente renega do que é e vê o galego como síntoma de atrasso, variedade cultural folclórica, e cousas polo estilo. Tenho de escuitar muitas vezes comentários do tipo "Ese es de la aldea", quer porque o indivíduo tiver sotaque galego, quer porque fala em galego. Porém, em geral, os corunheses tém um sotaque galego inconfundível, como se pode olhar quando fala o senhor Vasques. Essa é a ironia do espanholismo e do antigaleguismo dos corunheses: querem ser o que não são, pura pretensão. Pretendem ser cada dia mais importantes, enchindo-se o bandulho de orgulho patriótico. De facto, tenho um jornal no que se fala da Ciudad-Estado de La Coruña, acadando o colmo dos ridículos.
O Vasques também é símbolo do machismo e homofobia ainda presentes nas mentes mais conservadoras. Semelham -para eles- cidadãos de segunda, sem os mesmos direitos, sem a mesma consideração. Apenas se compreende um motivo polo que um partido pretendidamente progressista como o PSOE mantém a um espécimen como ele: é e será alcaide duma das cidades mais importantes da Galiza. Se o Vasques marchar, o eleitorado corunhês -os borreguinhos dos que falava- marcharão com ele, quitando força a essa indefinição que é o PSOE.
Ia estar nalguma das concentrações que terão lugar hoje -de facto, a esta hora já começarom algumhas-, mas o cansaço acumulado de ontem e o nojo que me dá todo isto fizerom-me cambiar de opinião. Tenho à avó a ver polo televisor o que ocorre, e a impressom que dá todo o conglomerado de autoridades no palco é a dos notáveis do regime numa das suas colónias. Ainda que já sabemos que em certos sítios sempre há mais fraguistas do que o Fraga, mais franquistas do que o Franco e mais papistas do que o Papa. Os corunheses e os que se desprazarom até cá respondem, provavelmente, a essa descrição. Não se decatam de que toda esta ostentação é pagada por todos, não é algo que saia grátis a ninguém. Supõe um gasto inecessário de combustível, de média informativos... Pura propaganda institucional pagada com o dinheiro de todos, os que se sintem espanhóis e, naturalmente, os que não.
Hoje teremos que aturar, mais um dia, os ruidos causados pola maquinária do órgão militar do Estado. Que se vaiam!
Sir Francis Vázquez, como é chamado nalguns círculos -mas circos-, alcaide da Corunha, presidente da Federação de Municípios da Espanha, senador -ainda não apresentou rem-, entre outras ocupações menos legais, como requalificações para benefício próprio ou de pessoal ligado a ele, trouxo à nossa terra o desfile das Forças Armadas. Isto significa duas cousas:
Aquém, o grande sentimento espanholista que tem na cabeça. A praça de Maria Pita não pode estar mais rojigualda estes dias. O desfile é a demonstração do poder militar espanhol, interpretado por alguns como o equivalente a forças de ocupação. De nada servem protestas pacifistas da mocidade e da cultura, por dar dous exemplos.
Além, o profundo despreço que tem polos seus próprios fregueses, já que mais que cidadãos, às vezes os corunheses semelham borregos que repitem o que diz o governante, sem se questionarem nada, ignorando totalmente factos demonstrados de corrupção e incompetência. Como fregueses crendo num deus que não podem ver. O Paco Vasques despreça todos eles, fazendo um investimento grandioso para pôr a cidade sob estado policial, enquanto as forças de ocupação se mantém na vila. Estes dias não podes fazer nada sem topares polícia do Estado, todos com olhar equino e furioso, aparentando dar-che umha labaçada à mínima mostra de pensamento non-grato para o Estado espanhol. A sua prepotência é manifesta, calmada acaso polo espanholismo que se coze na cidade da Torre.
Não é certo que na Corunha haja um movimento progressista considerável. Há militância, convencida e activa, mas são os menos. A população é a que vota ao Vasques e dá-lhe o poder de fazer o que quiger. Ela é quem acode em massa para olhar com os olhos bem abertos a parafernália na zona da Torre de Hércules, convertendo em panem et circenses exibições de potencial militar usado para manter a unidade da pátria. Eu pergunto: se o exército é para nos defender de ataques exteriores, qual é o senso de um quartel no puto centro da Corunha?? Porque o quartel das Atochas leva desde tempos imemoriais, ocupando uns terreios agora reclamados para uso público. Aliás, mantém-se na Corunha ruas e estátuas com nomes dos artífices do levantamento militar do 36, da guerra civil, da posguerra, da ditadura... Indignante é termos praça de Millán Astray, rua da Divisão Azul, viaducto del Generalísimo, todos símbolos da vitória -porque nunca houvo paz após a guerra- dos sublevados contra a República.
Esta cidade, sempre bastião republicano durante a segunda república, também do galeguismo com os movimentos culturais... converteu-se numha cidade cheia de pretensões, umha cidade que sempre quixo ser Madrid com um folclore diferente, galleguiños eles. Hoje podes topar montes de gente na cidade com apelidos, já não galegos, mas galeguíssimos, e a gente renega do que é e vê o galego como síntoma de atrasso, variedade cultural folclórica, e cousas polo estilo. Tenho de escuitar muitas vezes comentários do tipo "Ese es de la aldea", quer porque o indivíduo tiver sotaque galego, quer porque fala em galego. Porém, em geral, os corunheses tém um sotaque galego inconfundível, como se pode olhar quando fala o senhor Vasques. Essa é a ironia do espanholismo e do antigaleguismo dos corunheses: querem ser o que não são, pura pretensão. Pretendem ser cada dia mais importantes, enchindo-se o bandulho de orgulho patriótico. De facto, tenho um jornal no que se fala da Ciudad-Estado de La Coruña, acadando o colmo dos ridículos.
O Vasques também é símbolo do machismo e homofobia ainda presentes nas mentes mais conservadoras. Semelham -para eles- cidadãos de segunda, sem os mesmos direitos, sem a mesma consideração. Apenas se compreende um motivo polo que um partido pretendidamente progressista como o PSOE mantém a um espécimen como ele: é e será alcaide duma das cidades mais importantes da Galiza. Se o Vasques marchar, o eleitorado corunhês -os borreguinhos dos que falava- marcharão com ele, quitando força a essa indefinição que é o PSOE.
Ia estar nalguma das concentrações que terão lugar hoje -de facto, a esta hora já começarom algumhas-, mas o cansaço acumulado de ontem e o nojo que me dá todo isto fizerom-me cambiar de opinião. Tenho à avó a ver polo televisor o que ocorre, e a impressom que dá todo o conglomerado de autoridades no palco é a dos notáveis do regime numa das suas colónias. Ainda que já sabemos que em certos sítios sempre há mais fraguistas do que o Fraga, mais franquistas do que o Franco e mais papistas do que o Papa. Os corunheses e os que se desprazarom até cá respondem, provavelmente, a essa descrição. Não se decatam de que toda esta ostentação é pagada por todos, não é algo que saia grátis a ninguém. Supõe um gasto inecessário de combustível, de média informativos... Pura propaganda institucional pagada com o dinheiro de todos, os que se sintem espanhóis e, naturalmente, os que não.
Hoje teremos que aturar, mais um dia, os ruidos causados pola maquinária do órgão militar do Estado. Que se vaiam!









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