Conversas diante do espelho

Sexta-feira, Junho 10, 2005

Pura hipocrisia

Pode que o título do blogue seja mais premonitório do que outra cousa, mas às vezes topo-me a pensar se serei o único que pensa de determinado jeito, ou se os outros acadarom o objectivo de nos fazerem pensar que estamos sós.

Refiro-me ao que ocorre hoje no Sara Ocidental. Ainda hoje existe uma ocupaçom militar lá, e negam o seu direito de autodeterminação. Semelha que muitos políticos do Estado espanhol ficam preocupados pola situaçom que se vive lá. O curioso é que, embora a situação é muito mais suave, na Galiza estão a obviar-se direitos similares. Diria também que se estão a negar rotundamente. É um detalhe a termos em consideração o facto de ficarem preocupados por um direito de autodeterminação doutro país e nem sequer terem em conta esse mesmo direito aos povos que formam o Estado. Duas formas de reaccionarem perante uma petição similar.

Certo é que na Galiza não adoitamos ter problemas de ocupação militar e similares -com o perdão dos militantes independentistas detidos-, excepto acaso quando existe oposição visível às forças de segurança do Estado, como foi no caso do dia das Forças Armadas espanholas. É nesses casos, quando alguém oferecer resistência à forma de ver as cousas que tém os espanholistas, quando a mão negra se torna visível e actua.

Acaso o fio dos meus pensamentos padeça umha certa desordem, mas às vezes é melhor soltarmos as cousas enquanto virem, para não esquecermos algumha das ideias.

A síntese do que quero dizer é que no Estado espanhol os que discrepamos deste regime podemos viver tranqüilos, até questionarmos abertamente os pilares do Estado. Aí começam os problemas. E digo eu: Que tipo de liberdade é essa na que há temas proibidos, na que há factos inquestionáveis, inamovíveis? Que tipo de regime democrático é aquele que nega um dos direitos fundamentais, como é a autodeterminação, a um dos seus territórios, enquanto advoga por este direito num território alheio? Eu não o chamaria deste jeito, mas hipócrita. É o único adjectivo coerente que me vem à cabeça. Semelha aquele homem que fala dos direitos da mulher e tem na casa a uma escrava por dona. Pura hipocrisia.

E será certo, afinal, que temos os políticos que nos merecemos? Se merecemos isto, já tivo que ser catastrófico o que fizo que assim seja...